atualizado em 15/01/2011 08:37
Em 27 pontos de Teresina, famílias enfrentam o medo de não saber se a casa onde vivem serão invadida pelas águas das chuvas. Elas moram em áreas sujeitas a inundações, desabamentos e alagamentos, segundo levantamento recente da Defesa Civil do município.
São cerca de 15 mil pessoas submetidas a essas condições precárias. Dentre elas, áreas próximas aos rios Parnaíba e Poti, como a Vila Beira Rio, residencial Novo Milênio, Vila da Guia, Vila São Francisco, Mafrense, Vila São José, Santa Barbara e Santa Maria da Codipi são algumas das mais preocupantes e em estado considerado de alerta.
Apesar das previsões meteorológicas não apontarem nenhum motivo de preocupação até o momento, o coordenador- geral da Defesa Civil de Teresina, coronel Lídio Filho, afirma que todos os 27 locais, entre zona rural e urbana, são monitorados diariamente pelo órgão.
"Em anos anteriores, o número de áreas de risco era muito maior. Hoje, temos 27 locais que trazem preocupação. A prefeitura tem conseguido instalar essas famílias em áreas adequadas para a construção de moradia. Isso representa um grande avanço para uma cidade, apesar de que nosso trabalho é de uma atenção permanente", disse.
Em 2009, cerca de 7.220 famílias foram atingidas pelas enchentes em 21 municípios do Piauí, o que totaliza aproximadamente 36.100 pessoas. Na capital do estado, Teresina, foram 2 mil as famílias atingidas. Em 2010, não houve enchentes de maiores proporções na cidade. O coronel explica ainda que hoje Teresina conta com o comitê da Defesa Civil que se reúne, discute e monitora essas áreas, além de haver remoção das famílias e encaminhamento para abrigos públicos ou para aluguéis sociais, programa em que a Prefeitura se responsabiliza pelo pagamento referente à locação de uma moradia.
"Acredito que a situação de Teresina não é uma culpa do poder público em geral, mas também da sociedade. Não adianta limpar um canal ou retirar as pessoas de um determinado local se elas sujam novamente e voltam para aquela área depois de algum tempo. Hoje, não adianta só educação ambiental, mas sim responsabilização", pontuou o coordenador de Defesa Civil.
De acordo com Lídio Filho, a Prefeitura não concorda com pessoas queocupam áreas inseguras e colocam as suas vidas e de seus familiares em risco somente para pressionar os órgão públicos a lhes garantir o direito a uma moradia. A notificação dos moradores sobre os riscos que correm ao permanecer em terrenos comprometidos faz parte dos procedimentos adotados pela Defesa Civil.
"Muitas vezes, o trabalho de contenção não é entendido pela população, que, mesmo correndo perigo, não quer deixar o local. Muitos acham que vão perder o que construíram, apesar de saber que aquela situação é irregular", explica o coronel.

Prefeitura está transferindo parte das famílias das áreas de risco
Já como forma de se prevenir dos efeitos do período chuvoso, a Prefeitura de Teresina já iniciou a transferência de famílias que residem às margens dos rios Parnaíba e Poti. Elas estão sendo instaladas em 2.700 casas nos conjuntos habitacionais Árvores Verdes (zona Leste), Pedro Balzi (zona Sudeste) e Leonel Brizola (zona Norte).
Além disso, as superintendências de Desenvolvimento Urbano de todas as regiões da cidade também foram acionadas e estarão de prontidão para o que for necessário. "Estamos nos preparando para agir sobre qualquer circunstância, pois embora a previsão possa alertar sobre os efeitos da natureza, nunca sabemos os estragos que podem ser causados", declarou coronel Lídio Filho, da Defesa Civil do município. E completou: "Até o momento as chuvas estão acontecendo dentro da normalidade e não há a previsão de cheia nos rios Parnaíba e Poti. Contudo, estamos nos precavendo para garantir a segurança da população".
É preciso planejamento urbano para acabar com áreas de riscos
Em Teresina é comum as chuvas provocarem grandes problemas. Bastam algumas poucas chuvas para a cidade ter transtornos, com ruas mais engarrafadas, crateras abertas e áreas inundadas. Assim, as áreas de risco em Teresina são reflexo de um crescimento urbano sem controle. É o que aponta o professor de Arquitetura e especialista em Urbanismo, Raimundo Oliveira Sobrinho.
"Tudo isso é conseqüência da precariedade do sistema de planejamento e controle urbanos e do próprio modelo de cidade adotado ao longo dos anos, que valoriza o uso do automóvel em detrimento do transporte coletivo, promove a segregação espacial e social e permite a impermeabilização de grandes áreas, somados ao pequeno grau de consciência ambiental da população", analisou Sobrinho.
Para ele, o que é preciso ser feito é a imediata criação de um instituto de planejamento que defina, de modo consistente, as diretrizes de ocupação do território teresinense e a aplicação do que já está definido no Plano Diretor, ainda em implantação na cidade. "É necessário aperfeiçoar também o sistema de drenagem e intensificar a fiscalização sobre o uso e a ocupação do solo", completou o especialista.
Fonte: Jornal O DIA
Edição: Mayara Bastos
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